quinta-feira, 29 de março de 2012

Crase ganha rock didático

 'Terror' da gramática, crase atormenta estudantes e ganha rock didático

Equipes do G1 fotografaram erros de crase em placas publicitárias.
Confira dicas e livre-se das dúvidas na hora de usar a crase.

 
 
Terror dos estudantes e candidatos de concursos, carma dos professores, a crase é capaz de causar dúvidas até entre aqueles que são craques nas regras da gramática. Simbolizada por um acento grave sobre letra 'a', a crase requer algumas regras importantes. Para não errar, vale usar truques que variam de uma simples decoreba até uma música com frases rimadas que ajuda a assimilar melhor tais dilemas.
Pensando na complexidade do tema, a banda Sujeito Simples, de Curitiba (PR), que desde 2007 tenta difundir no Brasil o estilo musical chamado de rock educativo, lançou duas músicas sobre o uso da crase no segundo disco da carreira.
Uma delas ganhou até videoclipe (veja vídeo acima).
 
 

“A crase é proibida na ligação de palavras repetidas. A crase é proibida diante de palavras masculinas. A crase é proibida diante de verbos. A crase é proibida diante dos pronomes relativos", diz a letra. Todas as músicas da banda têm relação com elementos da língua portuguesa, são composições próprias e não são paródias. O material é muito procurado por professores que utilizam o trabalho da banda para auxiliá-los em sala de aula. "Como o assunto é bem extenso, dividimos em duas músicas. Sabemos que a crase é um problema, gera muitas dúvidas, por isso é um assunto bem procurado", afirma a baixista da banda, Jéssica Steil, de 21 anos.
O G1 foi às ruas de algumas capitais brasileiras e colheu exemplos positivos e negativos do uso da crase em cartazes, faixas, outdoors e até em placas de sinalização de ruas (veja galeria acima).
Placa fotografada na Bahia; análise do professor de português Sérgio Nogueira (Foto: Ida Sandes/G1 BA)
Placa fotografada na Bahia; análise do professor de português Sérgio Nogueira (Foto: Ida Sandes/G1 BA)
 
"É muito frequente encontrar erros de crase em placas e peças publicitárias", afirma Simone Motta, professora de redação do Colégio Etapa. "Se você erra a crase, a frase perde todo o seu sentido."

Uso em três situações
A crase não é um acento, é a contração de 'a' mais 'a'. Segundo o professor Sérgio Nogueira, para haver crase, é necessário que existam dois 'a'. O primeiro 'a' é a preposição, e o segundo 'a' pode aparecer em três casos diferentes de artigos e pronomes. Veja exemplos dados pelo especialista:
- a) artigo definido:
“Ele se referiu a (preposição) + a (artigo) carta.” = “Ele se referiu à carta”
“Ele entregou o documento a (preposição) + as (artigo) professoras” = “Ele entregou o documento às professoras.”
- b) pronome demonstrativo:
“Sua camisa é igual a (preposição) + a (pronome = a camisa) do meu pai” = “Sua camisa é igual à do meu pai”
“Ele fez referência a (preposição) + as (pronome = aquelas) que saíram” = “Ele fez referência às que saíram”
- c) vogal 'a' inicial dos pronomes 'aquele', 'aqueles', 'aquela', 'aquelas' e 'aquilo':
“Ele se referiu a (preposição) + aquele livro” = “Ele se referiu àquele livro”
“Ele fez alusão a (preposição) + aquelas obras” = “Ele fez alusão àquelas obras”
“Prefiro isso a (preposição) + aquilo” = “Prefiro isso àquilo”.
Placa do Paraná; análise do uso da crase feita pelo professor Sérgio Nogueira (Foto: Sérgio Tavares Filho/ G1 PR)
Placa do Paraná; análise do uso da crase feita pelo professor Sérgio Nogueira (Foto: Sérgio Tavares Filho/ G1 PR)
 
"O maior problema da crase é que ela é uma fusão do fonema que não aparece na linguagem falada. Para empregá-la corretamente é necessário entender onde se usa a preposição", afirma Simone Motta, professora de redação do Etapa.
Para Simone, a crase é um instrumento de interpretação de texto que exige treino. "É necessário conhecer as regras que não são tão fáceis e demandam memorização. Quem domina crase, domina o resto e escreve bem."

VEJA AS DICAS DO PROFESSOR SÉRGIO NOGUEIRA SOBRE O USO DA CRASE
Você sabia que CRASE não é acento?
Crase é a fusão de duas vogais iguais, é a contração de dois aa. Acento grave (`) é o sinal que indica a crase (a + a = à). Para haver crase, é necessário que existam dois aa. O primeiro a é preposição; o segundo pode ser:
a) artigo definido (a/as)
“Ele se referiu a (preposição) + a (artigo) carta.” = “Ele se referiu à carta.”

“Ele entregou o documento a (preposição) + as (artigo) professoras.” = “Ele entregou o documento às professoras.”

b) pronome demonstrativo (a/as):
“Sua camisa é igual a (preposição) + a (pronome = a camisa) do meu pai.” = “Sua camisa é igual à do meu pai.”

“Ele fez referência a (preposição) + as (pronome = aquelas) que saíram.” = “Ele fez referência às que saíram.”

c) vogal a inicial dos pronomes aquele, aqueles, aquela, aquelas e aquilo:

“Ele se referiu a (preposição) + aquele livro.” = “Ele se referiu àquele livro.”

“Ele fez alusão a (preposição) + aquelas obras.” = “Ele fez alusão àquelas obras.”

“Prefiro isso a (preposição) + aquilo.” = “Prefiro isso àquilo.”
Exercícios sobre o uso da crase
O professor Sérgio Nogueira preparou uma lista de exercícios sobre o uso da crase. Veja abaixo:
1º)  Coloque o acento grave indicativo da crase quando julgar necessário:
1. Fez referência a peça que estava em cartaz.
2. Veio a caráter.
3. Tudo pertencia a ela.
4. Dedicou o sucesso a todos.
5. Tráfego proibido a motocicletas.
6. Fazia referência a leis ou as leis.
7. Ficou cara a cara com o goleiro.
8. O jogo foi transferido para as 8h.
9. O jogo será as 8h.
10. O banqueiro vai a Roma com certa frequência.
11. Ele viajou a antiga Roma.
12. Gosta muito de um Bacalhau a Gomes de Sá.
13. A reivindicação é idêntica a dos metalúrgicos.
14. Saiu as escuras.
15. Andava a procura de emprego.
16. O salão ficava cheio a medida que os convidados iam chegando.
17. Ele venceu a distância.
18. O presidente se referia aquele senador.
19. Prefiro isso aquilo.
20. Dedicou todo seu amor a Clara.

2º) Use o acento grave indicativo da crase quando julgar necessário:

21. Ele se referiu a carta de boas-vindas.
22. Entregou o documento as secretárias.
23. Sua camisa é igual a do meu pai.
24. Fez referência as que foram ao passeio.
25. Ontem ele foi aquela ilha.
26. Já foi a Angra e a Bahia.
27. Estamos a sua disposição.
28. Entregou a carta a Claudia.
29. Ele escreve a Jorge Amado.
30. Hoje, temos churrasco a Osvaldo Aranha.
31. Não vendemos a prazo. Só vendemos a vista.
32. Vamos falar as claras.
33. Entre sempre a direita.
34. É preciso sentar-se a mesa.
35. As vezes eles nos visitam.
36. A reunião começará as 10h.
37. A reunião será a partir das 10h.
38. Trabalhamos de segunda a sexta, das 8h as 18h.
39. A reunião será de duas a quatro horas.
40. Ele ficará aqui até as 18h.
41. Todos podem andar a cavalo.
42. Começou a reclamar.
43. Referia-se a uma antiga estrada lateral.
44. Entregou a tolha a alguém da portaria.
45. Estamos atentos a essa tendência.
46. Ofereceu o prêmio a ela.
47. Entregou o documento a Vossa Excelência.
48. Referia-se a situações estranhas.
49. Ficou frente a frente com o animal.
50. Esta é a pessoa a quem oferecemos o convite.
Faixa no Sergipe (Foto: Flávio Antunes / G1 SE )
Faixa no Sergipe (Foto: Flávio Antunes / G1 SE )
 
CONFIRA AS RESPOSTAS DOS TESTES ACIMA SOBRE O USO DA CRASE
1º) Coloque o acento grave indicativo da crase quando julgar necessário:
1. Fez referência à peça que estava em cartaz. (referência a + a peça)
2. Veio a caráter. (não há crase antes de palavra masculina)
3. Tudo pertencia a ela. (não há crase antes de pronome pessoal)
4. Dedicou o sucesso a todos. (não há crase antes de pronome indefinido)
5. Tráfego proibido a motocicletas. (não há crase antes de plural = a+plural)
6. Fazia referência a leis ou às leis. (referência a + as leis = às+plural)
7. Ficou cara a cara com o goleiro. (não há crase entre palavras repetidas)
8. O jogo foi transferido para as 8h. (não crase quando já houver outra preposição)
9. O jogo será às 8h. (=adjunto adverbial de tempo feminino)
10. O banqueiro vai a Roma com certa frequência. (volto de Roma = sem artigo)
11. Ele viajou à antiga Roma. (volto da antiga Roma = com artigo)
12. Gosta muito de um Bacalhau à Gomes de Sá. (=à moda Gomes de Sá)
13. A reivindicação é idêntica à dos metalúrgicos. (idêntica a + a = a reivindicação)
14. Saiu às escuras. (=adjunto adverbial de modo)
15. Andava à procura de emprego. (=locução prepositiva feminina)
16. O salão ficava cheio à medida que os convidados iam chegando. (=locução conjuntiva feminina)
17. Ele venceu à distância. (=locução adverbial)
18. O presidente se referia àquele senador. (referia-se a + aquele)
19. Prefiro isso àquilo. (prefiro isso a + aquilo)
20. Dedicou todo seu amor a/à Clara. (crase facultativa antes de nomes próprios de mulher)
 
2º) Use o acento grave indicativo da crase quando julgar necessário:
21. Ele se referiu à carta de boas-vindas. (referiu-se a + a carta)
22. Entregou o documento às secretárias. (entregou a + as secretárias)
23. Sua camisa é igual à do meu pai. (igual a + a = a camisa)
24. Fez referência às que foram ao passeio. (referência a + as = aquelas)
25. Ontem ele foi àquela ilha. (foi a + aquela)
26. Já foi a Angra e à Bahia. (volto de Angra, mas volto da Bahia)
27. Estamos à/a sua disposição. (crase facultativa antes de pronomes possessivos femininos no singular)
28. Entregou a carta à/a Claudia. (crase facultativa antes de nomes próprios de mulher)
29. Ele escreve a ou à Jorge Amado. (depende: a Jorge Amado = para Jorge Amado; à Jorge Amado = à moda de Jorge Amado)
30. Hoje, temos churrasco à Osvaldo Aranha. (=à moda de Osvaldo Aranha)
31. Não vendemos a prazo. Só vendemos à vista. ( a prazo = não há crase antes de palavras masculinas; à vista = adjunto adverbial de modo feminino)
32. Vamos falar às claras. (=adjunto adverbial de modo)
33. Entre sempre à direita. (=adjunto adverbial de lugar)
34. É preciso sentar-se à mesa. (=adjunto adverbial de lugar)
35. Às vezes eles nos visitam. (=adjunto adverbial de tempo)
36. A reunião começará às 10h.(=adjunto adverbial de tempo)
37. A reunião será a partir das 10h.(não crase antes de verbo)
38. Trabalhamos de segunda a sexta, das 8h às 18h. (de...a = sem artigo; das...às = com artigo para definir a hora que começa e termina o horário de trabalho)
39. A reunião será de duas a quatro horas. (de...a = sem artigo - é a duração da reunião)
40. Ele ficará aqui até às/as 18h. (crase facultativa após a preposição até)
41. Todos podem andar a cavalo. (impossível antes de palavra masculina)
42. Começou a reclamar. (impossível antes de verbo)
43. Referia-se a uma antiga estrada lateral. (impossível antes de artigo indefinido)
44. Entregou a tolha a alguém da portaria. (impossível antes de pronome indefinido)
45. Estamos atentos a essa tendência. (impossível antes dos demonstrativos esta e essa)
46. Ofereceu o prêmio a ela. (impossível antes dos pronomes pessoais)
47. Entregou o documento a Vossa Excelência. (impossível antes dos pronomes de tratamento que podem ser homem ou mulher)
48. Referia-se a situações estranhas. (impossível quando a preposição a vem antes de plural)
49. Ficou frente a frente com o animal. (impossível entre palavras repetidas)
50. Esta é a pessoa a quem oferecemos o convite. (antes do quem nunca "tem").

 

FONTE: Vanessa Fajardo Do G1, em São Paulo

quarta-feira, 28 de março de 2012

Dica do dia: Ouçam Carla Bruni


O som que indico hoje para que vocês curtam é o da Carla Bruni. Para quem gosta de ouvir uma música calma e romântica de vez em quando, ou sempre, é uma boa pegada. 
 
Como todos sabem (ou não...), ela é a mulher do presidente francês Nicolas Sarkozy. Bruni vem de uma família inteiramente ligada à música, então não podia ser diferente.

Foi modelo de 1987 a 1998, e em 2002 lançou seu primeiro álbum, "Quelqu'un m'a dit", todo cantado em francês. Em 2006, lançou "No promises", em inglês. No ano de 2008, lançou "Comme Si De Rien N'était", cantado nas duas línguas. Todos bem aceitos na França. No Brasil, já teve música como trilha sonora de novela da Rede Globo.
 
A maioria de suas canções é própria, letra e melodia, o que torna o trabalho de Bruni ainda mais verdadeiro e bonito. São músicas calmas e bem trabalhadas, boa parte tocada por ela no violão. É melhor quando canta em francês (idioma lindo!), porque fica com um tom bem mais romântico. 
   
Agora que Carla Bruni é primeira-dama da França, está com esse trabalho parado, o que é uma pena, já que ela é ótima cantora e compositora

Confiram:


Quelqu'un m'a dit, do álbum de estreia de Carla Bruni que carrega o mesmo nome da música:


Those dancing days are gone, do álbum No Promises:


Tu es ma came (Lindaaaaaa), do Comme si de rien n'était:



Exposição : Dialógica Feminina


Está acontecendo no Espaço Cultural do TRF da 1ª Região no período de 19 a 29 de março 2012 a exposição “Dialógica Feminina” das artistas plásticas Cristine Flores, Esmeralda Guedes, Hilda Curcio e Rita Teodósio, ambas servidoras do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. A visitação está aberto ao público de 8h ás 18h. A amostra encerra as comemorações em homenagem ao dia internacional da mulher que é comemorado no dia 8 de março.
 Usando o conceito do filósofo Martin Barbero que explica que todo o ambiente é um ecossistema comunicativo, as artistas plásticas reuniram seus talentos e produziram um mix de arte com poesia, pinturas e esculturas.
A exposição retrata a preocupação das artistas plásticas com papel social da mulher no mundo, principalmente aquela que não tem oportunidade de crescimento. “É uma exposição delicada, preocupada principalmente com o lado social, voltado para a situação de mulheres que ainda hoje sofrem por não terem oportunidades na vida para crescerem”, explica à servidora Cristine Flores.
Para mais informação entre em contato com: cristine.garcia@trf1.jus.br

Morre o escritor Millôr Fernandes

 

Autor morreu em casa, em Ipanema, na Zona Sul do Rio.
Ele teve falência múltipla dos órgãos, segundo filho.



O escritor carioca Millôr Fernandes morreu, às 21h desta terça-feira (27), em casa, no bairro de Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo Ivan Fernandes, filho do escritor, ele teve falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca. Millôr tinha dois filhos, Ivan e Paula, e um neto, Gabriel. Ele foi casado com Wanda Rubino Fernandes. De acordo com sua certidão, Millôr nasceu no dia 27 de maio de 1924, embora ele dissesse que a data correta era 16 de agosto do ano anterior.
De acordo com a família, o velório está marcado para esta quinta-feira (29), das 10h às 15h, no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária do Rio. Em seguida, o corpo será cremado numa cerimônia só para a família.

Em 2011, o escritor chegou a ser internado duas vezes na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul. Na época, a assessoria do hospital não detalhou o motivo da internação a pedido da família.
Nascido no bairro do Méier, Millôr sempre fez piada em relação ao seu registro de nascimento. Costumava brincar que percebeu somente aos 17 anos que o seu nome havia sido escrito errado na certidão: onde deveria estar Milton, leu “Millôr” (o corte da letra “t” confundia-se com um acento circunflexo, e o “n” com um “r”). Seja como for, gostou do novo nome e o adotaria a partir de então. “Milton nunca foi uma boa escolha”, comentaria anos mais tarde, durante uma entrevista. A data de nascimento também não estaria correta: em vez de 27 de maio de 1924, ele teria nascido em 16 de agosto do ano anterior.
Desenhista, tradutor, jornalista, roteirista de cinema e dramaturgo, Millôr foi um raro artista que obteve grande sucesso, de crítica e público, em todas as áreas em que se atreveu trabalhar. Ele, que se autodefinia um “escritor sem estilo”, começou no jornalismo em 1938, aos 15 anos, como contínuo e repaginador de “O Cruzeiro”, então uma pequena revista. Ele retornou à publicação em 1943 ao lado de Frederico Chateaubriand e a tornou um sucesso comercial. Lá, criou a famosa coluna “Pif-Paf”, que também teria desenhos seus.
Em 1948, viajou para os Estados Unidos e conheceu Walt Disney. “Nessa época eu ainda acreditava que Disney sabia desenhar. Só mais tarde, lendo sua biografia, aprendi que até aquela assinatura bacana com que ele autentica os desenhos é criação da equipe”, provoca, na autobiografia que escreveu em seu site. No ano seguinte, Millôr assinou seu primeiro roteiro cinematográfico, “Modelo 19", e já foi logo agraciado com o Prêmio Governador do Estado de São Paulo, criado na década seguinte.
O início dos anos 50 seria importante na vida do autor, tanto pessoal quanto profissionalmente. Na companhia do também escritor Fernando Sabino, fez uma viagem de carro pelo Brasil, com duração de 45 dias. Em 1952, seria a vez da Europa, por onde permaneceria quatro meses. Um ano depois, veria a estreia de sua primeira peça de teatro, "Uma mulher em três atos", no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo.
E foi no teatro, como dramaturgo, que Millôr mais colecionou prêmios. Como em ”Um elefante no caos”, em 1960. Anos depois, diria em seu site: “Foi transformada num excelente espetáculo pela genial direção de João Bittencourt. Uma das poucas vezes que um diretor melhorou um trabalho meu”.
Também no teatro foi um tradutor prolífico e importante. Clássicos como “Rei Lear”, de William Shakespeare, a moderna “As lágrimasaAmargas de Petra von Kant”, de Fassbinder, ou o musical Chorus Line, de James Kirkwood e Nicholas Dante, chegaram aos palcos brasileiros através de suas mãos. "Ao traduzir é preciso ter todo o rigor e nenhum respeito pelo original”, diria em uma entrevista.
RoteiristaComo roteirista, escreveu mais de uma dezena de textos, dentre eles o longa “Terra estrangeira”, e “Memórias de um sargento de milícias”, adaptação da obra de José Manuel de Macedo produzida pela Rede Globo de Televisão. Também roterizou espetáculos musicais, como o musical “Liberdade liberdade”, escrito em parceria com Flávio Rangel, e “Do fundo do azul do mundo”, ao lado de Elizeth Cardoso e do Zimbo Trio.
Recebeu uma homenagem durante o carnaval carioca de 1983, quando foi samba-enredo da Escola de Samba Acadêmicos do Sossego, de Niterói (RJ). Millôr, inclusive, compareceu ao desfile.
Dentre os veículos de imprensa, colaborou ainda com artigos e crônicas nos jornais “O Correio Brasiliense”, “Jornal do Brasil”, “O Estado de São Paulo”, “O Diário Popular”, “Correio da Manhã”, “O Dia”, “Folha da Manhã” e “Diário da Noite”. Para internet, criou o site “Millôr Online”, sobre o qual diria posteriormente: “Se eu soubesse o que atrai tanta gente, nunca mais faria de novo”.

E, como bom roteirista, ainda escreveria sobre a própria vida: "Meu destino não passa pelo poder, pela religião, por qualquer dessas entidades idiotas. Meu script é original, fui eu quem fez. Por isso não morro no fim".
Seu perfil no Twitter já contava com mais de 285 mil seguidores.

FONTE: Do G1 RJ